Arritmia cardíaca tem cura?

Por: - Médico Cardiologista - CRM/SC 13143 RQE 18814/ 9707
Publicado em 14/02/2019 - Atualizado 25/04/2019

Arritmia cardíaca tem cura?

Uma dúvida comum entre os pacientes que sofrem com alterações nos batimentos do coração é saber se a arritmia cardíaca tem cura. Sabe-se que a arritmia é caracterizada por alterações no ritmo cardíaco normal. Dessa forma, essa enfermidade ocorre quando os impulsos elétricos do coração não funcionam da maneira correta, provocando diferentes formas de batimentos.

Geralmente, isso acontece em pessoas que já tiveram problemas cardíacos, como infarto, cirurgias prévias e insuficiência cardíaca, por exemplo. No entanto, esse problema também pode ser decorrente de outras causas. O Dr. Alexander Dal Forno (CRM/SC 13143; RQE 18814/ 9707), cardiologista da Unicardio e especialista em Eletrofisiologia, explica os tipos de arritmia e seus possíveis tratamentos.

Quais são os tipos de arritmias cardíacas?

Antes de saber se arritmia tem cura é preciso ter em mente que existem diferentes tipos de arritmia. Porque, como explica Dr. Alexander, nem toda arritmia cardíaca diagnosticada precisa de tratamento. Assim, é necessário reconhecer os sinais que o coração pode estar mandando para iniciar a busca por tratamento.

De maneira geral e normalizada, o coração tende a bater entre 60 e 100 vezes por minuto, quando as pessoas encontram-se em repouso. Assim, as arritmias acontecem quando há alterações nesse ritmo cardíaco, podendo levá-lo a bater de maneira mais acelerada (taquicardia) ou de maneira mais lenta (bradicardia).

Batimentos mais acelerados do que o normal: taquicardia

A taquicardia é caracterizada por um ritmo cardíaco rápido, geralmente com mais de 100 batimentos por minuto, chegando a até 400 batimentos. Com essa frequência, o coração não é capaz de bombear de forma eficiente o sangue rico em oxigênio para o corpo.

Em casos de taquicardia, é possível implantar um desfibrilador automático, que detecta a arritmia e corrige a pulsação por meio de um choque, trazendo a frequência normal de volta ao coração.

Batimentos mais lentos do que o normal: bradicardia

A bradicardia é caracterizada por um ritmo cardíaco lento, geralmente menos de 60 batimentos por minuto. Nessa velocidade, o coração não é capaz de bombear sangue rico em oxigênio suficiente para o corpo durante atividades normais ou nos exercícios físicos.

“Em alguns casos, a bradicardia não precisa ser tratada, já em outros será necessária a implantação de marcapasso”, explica o cardiologista. Dessa forma, o marcapasso é responsável por emitir impulsos elétricos capazes de corrigir as falhas do ritmo dos batimentos cardíacos. É importante lembrar que os marcapassos são aparelhos muito pequenos que são implantados por baixo da pele e não comprometem o estilo de vida do paciente.

Batimentos irregulares dos átrios do coração: fibrilação atrial

É importante considerar também o subtipo de arritmia cardíaca chamado de fibrilação atrial, caracterizada pelo ritmo de batimentos rápidos e irregulares dos átrios do coração. Nesse caso, o tratamento volta-se para a cirurgia robótica, associada à ablação por cateter – também chamada de terapia híbrida, utilizada em casos de arritmias que não respondem aos demais tratamentos.

Assim, a cirurgia robótica torna-se uma opção, sendo considerada um procedimento minimamente invasivo no qual o cirurgião cardíaco controla os braços de um robô, proporcionando maior precisão, destreza e segurança para a operação.

“A fibrilação atrial é o tipo de arritmia mais comum, acima dos 70 anos até 10% das pessoas podem ter o problema, sendo comum se iniciar a partir dos 40 anos”, afirma o especialista. Segundo ele, nesse caso, a manifestação é diferente pois além do coração acelerar, o órgão fica descompassado..

Causas da arritmia cardíaca

A arritmia cardíaca pode ser provocada pela interrupção ou mau funcionamento dos impulsos elétricos, responsáveis por controlar os batimentos cardíacos. Assim, dentre os problemas especificamente cardíacos que causam arritmia é possível citar:

  • insuficiência cardíaca;
  • ataque cardíaco (infarto);
  • cicatrização do tecido cardíaco após um infarto;
  • artérias bloqueadas no coração (doença arterial coronariana);
  • alterações na estrutura do coração, como a cardiomiopatia.

Por outro lado, também é possível que se relacionem a outras condições, como:

  • anemia;
  • ansiedade;
  • estresse;
  • medo;
  • uso de pílulas para emagrecimento;
  • determinados exercícios;
  • febre;
  • ventilação excessiva;
  • baixos níveis de oxigênio no sangue;
  • doença de válvulas cardíacas, incluindo o prolapso da válvula atrioventricular esquerda;
  • tireoide excessivamente ativa.

Por isso é fundamental a consulta a um cardiologista, que investigará as causas e fatores envolvidos. Podendo avaliar as possibilidades de cura da condição cardíaca.

Arritmia cardíaca tem cura?

De acordo com o Dr. Alexander, a grande maioria das arritmias cardíacas tem cura. No entanto, ele alerta que não são todas as arritmias cardíacas que precisam de tratamento.

“Nem toda sensação de arritmia e nem toda arritmia diagnosticada precisa de tratamento, obrigatoriamente. Por exemplo, se a arritmia for muito esporádica ou benigna, ela não necessita de tratamento, apenas um acompanhamento clínico para averiguar se vai continuar na mesma intensidade, se os sintomas vão permanecer ou se haverá piora’”, explica.

A questão do tratamento será averiguada pelo cardiologista que acompanha cada caso. Por exemplo, se houver dor muito intensa, sintomas recorrentes que incomodam o paciente ou a verificação de risco de vida, o tratamento será solicitado.

Existem ainda arritmias cardíacas mais graves, que pedem por cirurgia. Da mesma forma, determinadas técnicas cirúrgicas permitem corrigir a arritmia sem a necessidade de abrir o tórax do paciente, diminuindo o tempo de recuperação e melhorando a qualidade de vida do mesmo.

Em qual momento devo procurar ajuda médica?

O Dr. Alexander explica que as doenças cardíacas podem se manifestar de diferentes formas e isso deve ser considerado quando buscar por ajuda médica. “De maneira geral é preciso considerar o estilo de vida, as dores no peito e as dores maiores com o mesmo esforço”, explica o especialista.

É importante procurar ajuda médica sempre que seja notada qualquer alteração na frequência cardíaca. Caso o indivíduo apresente qualquer um dos sintomas descritos anteriormente é necessário recorrer à ajuda médica.

Em consulta, o médico irá conversar com o paciente sobre quais sintomas estão se manifestando de forma mais acentuada ou ainda acompanhar os consequentes problemas de saúde, verificando o estilo de vida do paciente e o respectivo histórico familiar. Dessa forma, o especialista também irá explanar que a arritmia cardíaca tem cura, orientando a melhor maneira de tratar cada caso.

Tratamentos para arritmia

Por isso, o tratamento depende do tipo, do grau e da frequência da arritmia cardíaca. Nesse caso, as medidas tomadas serão basicamente:

  • uso de medicamentos;
  • alterações no estilo de vida;
  • implante de dispositivos cardíacos eletrônicos, como marcapassos ou desfibriladores automáticos;
  • ablação por catéter realizada por meio da aplicação de energia de radiofrequência que é capaz de eliminar ou atenuar os focos das arritmias;
  • em casos extremos, a cirurgia é o recurso indicado;
  • acompanhamento clínico se a arritmia for considerada benigna.

A arritmia cardíaca tem cura se houver alterações fundamentais nos hábitos de vida. Essas atitudes são necessárias para garantir uma melhora na saúde. Caso você tenha alguma dúvida sobre arritmia cardíaca, entre em contato com a Unicardio e marque uma consulta com um especialista.

Material escrito por:
Médico Cardiologista - CRM/SC 13143 RQE 18814/ 9707

O Dr. Alexander Dal Forno é formado em Medicina pela UFSM e tem os títulos de especialista em Clínica Médica, pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM/AMB), e em Cardiologia, pelo Hospital São Lucas da PUC-RS e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC/AMB). Realizou especialização em Eletrofisiologia Clínica Invasiva, pelo Hospital São Lucas da PUC-RS e pela Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca (SOBRAC).