Ataque cardíaco: como reconhecer, prevenir e proceder

12/05/2017 | | publicado por

Ataque cardíaco: como reconhecer, prevenir e proceder

O ataque cardíaco, denominação popular para infarto do miocárdio, atinge e mata pessoas diariamente em todo o mundo devido à interrupção ou diminuição do fluxo de sangue para o coração.

Em situações normais, o sangue é bombeado pelo coração e circula através das artérias e veias, irrigando todos os tecidos do corpo, inclusive o próprio coração. No infarto do miocárdio, essa circulação é interrompida, reduzindo acentuada e abruptamente a quantidade de oxigênio que chega ao músculo cardíaco.

Quando o coração não recebe oxigênio suficiente para desempenhar suas funções, ocorre uma lesão na musculatura e, dependendo do tempo de duração deste bloqueio, uma parte do órgão morre e para de funcionar. Diversos termos são usados para designar esse evento. Dentre os mais empregados, destacam-se: infarto, enfarte e ataque do coração. A palavra infarto é mais usada no Sul do Brasil e enfarte, em outras regiões.

Na maioria das vezes, o óbito ocorre por falta de atendimento imediato. A intervenção precoce, feita nos primeiros minutos após o início dos sintomas, pode salvar o indivíduo de uma morte súbita (parada cardiorrespiratória) e deve ser feita por quem estiver mais próximo.

Por que o ataque cardíaco ocorre?

Várias condições podem causar um infarto do miocárdio. A principal delas é a aterosclerose – acúmulo de gordura na parede das artérias, que formam verdadeiras placas que podem obstruir o vaso e impedir o fluxo de sangue a partir daquele local. Essa obstrução geralmente ocorre quando a placa se rompe e plaquetas agregam-se a ela, formando um coágulo (trombo) que impossibilita o sangue de circular pela artéria. Isso faz com que o paciente apresente os sintomas característicos de um infarto agudo do miocárdio.

Não há uma causa única para as doenças cardiovasculares, mas existem fatores que aumentam a probabilidade de que ocorram:

  • hipertensão arterial;
  • dislipidemias (níveis elevados de gordura no sangue);
  • tabagismo;
  • diabetes mellitus;
  • estresse;
  • sedentarismo;
  • obesidade;
  • alimentação gordurosa;
  • hereditariedade (histórico de ocorrência da mesma doença em outros membros da família).

A prevenção, a identificação precoce e o controle desses fatores de risco são medidas que diminuem as chances de um ataque cardíaco.

Fatores de risco cardiovascular

  1. Pressão alta (hipertensão arterial sistêmica)

A pressão arterial corresponde à força com que o sangue é empurrado contra as paredes das artérias no momento em que ele sai do coração e é levado para todo o corpo. Essa circulação é importante para a nutrição de todo o organismo. Quanto mais difícil for para o sangue passar pelas artérias, maiores serão os valores da pressão arterial e maior será o trabalho do coração.

A pressão considerada normal, em um adulto, deve estar abaixo de 140/90 mmHg (popularmente conhecida como 14×9). Valores mais altos que esse indicam hipertensão arterial sistêmica (HAS).

  1. Colesterol e triglicerídeos em níveis elevados

O colesterol e os triglicerídeos são algumas das gorduras importantes para o ser humano. São encontradas no sangue e como não se dissolvem totalmente na água, são transportadas sob a forma de partículas chamadas VLDL, LDL e HDL. As LDL levam o colesterol para as paredes das artérias e, em níveis elevados, aumentam o risco da ocorrência de um infarto do miocárdio. São conhecidas como “mau colesterol”. As HDL protegem o coração, retirando as LDL das paredes das artérias e diminuindo o risco de infarto. São chamadas de “bom colesterol”. As VLDL são ricas em triglicerídeos, que têm um importante papel energético, mas que, em níveis elevados, podem levar à obesidade.

Fique atento à quantidade de gorduras ingerida em sua alimentação! Os valores desejáveis são:

  • colesterol total (VLDL + LDL + HDL): menor que 200 mg/dl;
  • LDL colesterol: menor que 130 mg/dl;
  • HDL colesterol: maior ou igual a 35 mg/dl;
  • triglicerídeos: menor que 200 mg/dl.
  1. Diabetes mellitus

O diabetes é uma doença caracterizada pelo excesso de açúcar no sangue. Está associado à aterosclerose e a um maior risco de infarto. A presença de um fator de risco adicional, como obesidade, pressão alta ou tabagismo, aumenta, ainda mais, as chances de uma pessoa sofrer um ataque cardíaco.

O valor desejável de glicose no sangue, em jejum, é de 75 a 110 mg/dl.

  1. Tabagismo

O risco de infarto é sempre bem maior em fumantes. A nicotina provoca o estreitamento das artérias, o que é capaz de diminuir a oferta de sangue para os vasos do coração. Além disso, a substância pode aumentar a pressão arterial e o número de batimentos cardíacos por minuto.

O prejuízo causado pelo tabagismo é proporcional à quantidade de cigarros consumidos e ao tempo de duração do vício. Ou seja, quanto maior for a duração do vício e a quantidade de cigarros fumados por dia, maior será o risco de infarto para um fumante. Esse risco não diminui com o consumo de cigarros de baixos teores.

  1. Vida sedentária

Alguns estudos mostram que pessoas que não fazem exercício físico regularmente têm maior risco de serem vitimadas por um ataque cardíaco. A atividade física também ajuda a evitar o excesso de peso e a controlar outros fatores de risco, como a hipertensão arterial, o diabetes mellitus e os níveis elevados de colesterol e triglicerídeos.

É importante realizar exercícios regularmente sob a orientação de profissionais capacitados para prevenir a doença. A falta de acompanhamento adequado na realização de qualquer atividade física incorre na possibilidade do aparecimento inesperado de problemas cardiovasculares e lesões osteoarticulares e musculares.

  1. Estresse

A tensão emocional, o nervosismo, a vida agitada e as pressões a que somos submetidos diariamente no trabalho e em casa fazem parte do que é conhecido como estresse. Estudos mostram que indivíduos submetidos a estresse constante apresentam maior risco de infarto do miocárdio. Deve-se, então, controlar o nível de estresse, incluindo, na rotina diária, a realização de atividades prazerosas.

Em que idade ocorre o infarto? Atinge homens e mulheres na mesma proporção?

O infarto pode ocorrer em qualquer pessoa com idade acima de 25 anos, mas é mais frequente entre os 45 e os 65 anos. A doença pode se manifestar em qualquer momento, mas acontece mais comumentemente nas primeiras horas do dia, quase sempre de forma abrupta, durante o repouso ou na presença de emoções fortes. O aparecimento de modo inesperado e estranho é uma de suas características.

O que se ouve falar, frequentemente, nas conversas em geral e durante o diálogo entre médicos e pacientes é: “Eu sei que coração não dói e, por isso, não me preocupo tanto por causa dessa dor no peito.”

Não se conhece a origem desse entendimento, que é errado. No entanto, muitas pessoas o tomam como verdade. Esse é um fator muito negativo, responsável pelo atraso na identificação de doenças no coração e que traz consequências graves.

Para desfazer esse mal-entendido (de que o coração não dói), é preciso reforçar que o coração dói, sim. Há duas formas dessa dor se manifestar: angina do peito e infarto do miocárdio.

  1. A dor da angina

Na angina do peito, a dor é forte, em aperto, opressão, queimação, ardência ou peso. Localiza-se, geralmente, no centro do peito, atrás do osso, mas pode ser sentida, também, no braço esquerdo, no braço direito, em ambos os braços, no pescoço, na mandíbula e nas costas.

Não raro, a dor começa nos braços, na região do estômago, no lado esquerdo ou nas costas e, minutos depois, pode se estender para o centro do peito. É, comumentemente, provocada por esforço e emoções, mas pode ocorrer, também, após refeições, em repouso ou durante o sono. O sintoma tende a desaparecer em poucos minutos.

Diferencia-se de outras dores no peito por não se agravar com a respiração, com a tosse, com movimentos do tórax, por compressão no local ou por mudanças de posição do corpo.

  1. A dor do infarto do miocárdio

No infarto do miocárdio, a dor tem características semelhantes à da angina do peito. Porém, distingue-se por surgir com maior frequência quando a pessoa está em repouso, por ser mais intensa e prolongada, e por vir acompanhada de intenso mal-estar, sensação de morte iminente, suor frio e vômito. É uma das dores mais fortes que existem. É quase incompatível com a vida: para continuar vivendo, é preciso que a dor acabe.

Como saber se uma pessoa está infartando e como proceder?

O infarto se apresenta de forma abrupta, traiçoeira, por meio de uma dor muito forte no peito. É uma das dores mais intensas e angustiantes que existem, impossível de ser tolerada por muito tempo. Frequentemente, é acompanhada por sensação de morte iminente, suor frio, palidez, náusea e vômito.

A ajuda para aliviá-la deve ser imediata, através de atendimento especializado, quando disponível, ou pelo serviço médico mais próximo. Nos casos em que a pessoa souber que tem doença cardíaca e a estiver tratando, ela deve seguir as recomendações médicas em caso de dor e procurar imediatamente o centro médico a que seu atendimento estiver vinculado.

Vencida a fase aguda, o tratamento não cessa. Começam, então, as medidas de ordem preventiva para evitar outros infartos. O paciente precisa mudar seus hábitos de vida: reduzir o nível de gorduras no sangue, diminuir o peso, abandonar o cigarro, fazer exercícios físicos, controlar a pressão arterial e tomar os medicamentos recomendados.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de infarto agudo do miocárdio é puramente clínico, confirmado por um eletrocardiograma. É fácil detectá-lo. Pode-se, em caso de indicação, realizar exames (como a arteriografia coronariana) para avaliar a estrutura das artérias que alimentam o coração.

O tratamento inicial consiste em desentupir, o mais rapidamente possível, a artéria acometida. Isso é feito com o uso de substâncias que diluem o sangue e dissolvem o coágulo no interior do vaso (trombolíticos). Outras medicações são usadas, também, para diminuir a dor cardíaca, para impedir a progressão do coágulo e para dilatar a artéria obstruída.

Outra opção de tratamento é a angioplastia coronariana, em que se utiliza um aparelho especial para acessar a artéria obstruída e desbloqueá-la, sem necessidade de realização de uma cirurgia cardíaca convencional.

Quanto ao tratamento cirúrgico, o procedimento mais conhecido é a revascularização do miocárdio (pontes de veia safena e/ou artéria mamária). Nesta situação, substitui-se o vaso obstruído por outro capaz de alimentar o coração.

É importante ressaltar que cada caso tem suas indicações de tratamento e, muitas vezes, há a associação de métodos, de forma que não se pode estabelecer uma forma padrão de solucionar o problema.

A longo prazo, deve-se prevenir novos episódios de infarto do miocárdio com o uso de medicamentos que diluam o sangue, evitando a formação de outros coágulos. Pode-se, também, utilizar remédios que diminuam os níveis de colesterol e triglicerídeos no organismo.

Como o infarto pode ser prevenido?

Como se pode perceber, as medidas para evitar o infarto do miocárdio devem ser tomadas de forma conjunta entre as equipes de saúde e os pacientes. Nos países em que foram desenvolvidos programas comunitários de conscientização e onde foram realizadas ações preventivas, evidenciou-se a diminuição na ocorrência de infarto do miocárdio e de morte súbita.

O meio mais eficaz é o controle dos fatores de risco, a partir da prática regular de exercícios físicos, da redução do nível de colesterol no sangue, do abandono do cigarro, e do monitoramento da pressão arterial e do diabetes mellitus. As dietas alimentares, o uso de remédios (apenas quando indicados pelo médico) e a prática esportiva são determinantes para evitar o entupimento das artérias.

Fonte: Universidade Federal do Paraná

Guia do coração: cuidado e prevenção

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