Ataque cardíaco: como reconhecer, prevenir e proceder


Publicado em 01/09/2021

Ataque cardíaco: como reconhecer, prevenir e proceder

O ataque cardíaco é chamado popularmente de infarto do miocárdio. Essa doença atinge e mata pessoas diariamente em todo o mundo devido à interrupção ou diminuição do fluxo de sangue para o coração.

Em situações normais, o sangue é bombeado pelo coração e circula através das artérias coronárias e veias, irrigando todos os tecidos do corpo, inclusive o próprio órgão. No infarto do miocárdio, essa circulação é interrompida, reduzindo acentuada e abruptamente a quantidade de oxigênio que chega ao músculo cardíaco.

Quando o coração não recebe oxigênio suficiente para desempenhar suas funções, ocorre uma lesão na musculatura e, dependendo do tempo de duração deste bloqueio, uma parte do órgão morre e para de funcionar. Diversos termos são usados para designar esse evento. Dentre os mais empregados, destacam-se: infarto, enfarte e ataque do coração. A palavra infarto é mais usada no Sul do Brasil e enfarte, em outras regiões.

Na maioria das vezes, o óbito ocorre por falta de atendimento imediato. A intervenção precoce, feita nos primeiros minutos após o início dos sintomas, pode salvar o indivíduo de uma morte súbita (parada cardiorrespiratória) e deve ser feita por quem estiver mais próximo.

Continue lendo para saber mais sobre o ataque cardíaco, suas possíveis causas e métodos para prevenir esse problema.

Por que o ataque cardíaco ocorre?

Várias condições podem causar o ataque cardíaco. A principal delas é a aterosclerose, o acúmulo de gordura na parede das artérias, que formam verdadeiras placas que podem obstruir o vaso e impedir o fluxo de sangue a partir daquele local.

Essas obstruções podem ocorrer quando a placa se rompe e plaquetas agregam-se a ela, formando um coágulo (trombo) que impossibilita o sangue de circular pelas artérias coronárias. Isso faz com que o paciente apresente os sintomas característicos de um infarto agudo do miocárdio, como falta de ar e dor forte no peito, que irradia para os braços.

Não há uma causa única para as doenças cardiovasculares, mas existem fatores que aumentam a probabilidade de que ocorram:

  • hipertensão arterial;

  • dislipidemias (níveis elevados de gordura no sangue);

  • tabagismo;

  • diabetes mellitus;

  • estresse;

  • sedentarismo;

  • obesidade;

  • alimentação gordurosa e

  • hereditariedade (histórico de ocorrência da mesma doença em outros membros da família).

A prevenção, a identificação precoce e o controle desses fatores de risco são medidas que diminuem as chances de um ataque cardíaco.

Fatores de risco cardiovascular

Saiba quais são os fatores de risco para um ataque cardíaco.

1. Pressão alta (hipertensão arterial sistêmica)

A pressão arterial corresponde à força com que o sangue é empurrado contra as paredes das artérias coronárias no momento em que ele sai do coração, sendo levado para todo o corpo. Essa circulação é importante para a nutrição de todo o organismo. Quanto mais difícil for para o sangue passar pelas artérias, maiores serão os valores da pressão arterial e maior será o trabalho do coração.

A pressão considerada normal, em um adulto, deve estar abaixo de 140/90 mmHg (popularmente conhecida como 14×9). Valores mais altos que esse indicam hipertensão arterial sistêmica (HAS).

2. Colesterol e triglicerídeos em níveis elevados

O colesterol e os triglicerídeos são algumas das gorduras importantes para o ser humano. São encontradas no sangue, e como não se dissolvem totalmente na água, são transportadas sob a forma de partículas chamadas VLDL, LDL e HDL.

As LDL levam o colesterol para as paredes das artérias coronárias e, em níveis elevados, aumentam o risco da ocorrência de um infarto do miocárdio. São conhecidas como “mau colesterol”.

As HDL protegem o coração, retirando as LDL das paredes das artérias e diminuindo o risco de ataque cardíaco. São chamadas de “bom colesterol”. Já as VLDL são ricas em triglicerídeos, que têm um importante papel energético, mas que, em níveis elevados, podem levar à obesidade.

Fique atento à quantidade de gorduras ingerida em sua alimentação! Os valores desejáveis são:

  • colesterol total (VLDL + LDL + HDL): menor que 200 mg/dl;

  • LDL colesterol: menor que 130 mg/dl;

  • HDL colesterol: maior ou igual a 35 mg/dl e

  • triglicerídeos: menor que 200 mg/dl.

Mas lembre-se: apenas um nutricionista poderá te indicar as medidas ideais para seu peso, altura e estado de saúde.

3. Diabetes mellitus

O diabetes é uma doença caracterizada pelo excesso de açúcar no sangue. Está associado à aterosclerose e a um maior risco de infarto. A presença de um fator de risco adicional, como obesidade, pressão alta ou tabagismo, aumenta, ainda mais, as chances de uma pessoa sofrer um ataque cardíaco.

O valor desejável de glicose no sangue, em jejum, é de 75 a 110 mg/dl, mas podem acontecer variações que deixam esse valor acima do desejado, o que é diagnosticado como pré-diabetes.

4. Tabagismo

Outro fator de risco para ataque cardíaco é o hábito de fumar. A nicotina provoca o estreitamento das artérias, o que consegue diminuir a oferta de sangue para os vasos do coração. Além disso, a substância pode aumentar a pressão arterial e o número de batimentos cardíacos por minuto.

O prejuízo causado pelo tabagismo é proporcional à quantidade de cigarros consumidos e ao tempo de duração do consumo, ou seja, quanto maior for a duração do vício e a quantidade de cigarros fumados por dia, maior serão os riscos de infarto para um fumante. Esses riscos não diminuem com o consumo de cigarros de baixos teores.

5. Vida sedentária

Alguns estudos mostram que pessoas que não fazem exercício físico regularmente têm maiores riscos de serem vitimadas por um ataque cardíaco. A atividade física também ajuda a evitar o excesso de peso e a controlar outros fatores de risco, como:

  • hipertensão arterial;

  • diabetes mellitus e

  • níveis elevados de colesterol e triglicerídeos.

É importante realizar exercícios regularmente, sob a orientação de profissionais capacitados para prevenir a doença. A falta de acompanhamento adequado na realização de qualquer atividade física incorre na possibilidade do aparecimento inesperado de problemas cardiovasculares e lesões osteoarticulares e musculares.

6. Estresse

A tensão emocional, o nervosismo, a vida agitada e as pressões a que somos submetidos diariamente no trabalho e em casa fazem parte do que é conhecido como estresse. Estudos mostram que indivíduos submetidos ao esgotamento constante apresentam maior risco de infarto do miocárdio. Deve-se, então, controlar o nível de estresse, incluindo, na rotina diária, a realização de atividades prazerosas e acompanhamento terapêutico.

Em que idade ocorre o infarto? Atinge homens e mulheres na mesma proporção?

Os infartos podem acontecer em qualquer pessoa com idade acima de 25 anos, mas são mais frequentes entre os 45 e os 65 anos. A doença pode se manifestar em qualquer momento, mas acontece mais comumente nas primeiras horas do dia, quase sempre de forma abrupta, durante o repouso ou na presença de emoções fortes. O aparecimento de modo inesperado e estranho é uma de suas características, assim como a falta de ar.

O que se ouve falar, frequentemente, nas conversas em geral e durante o diálogo entre médicos e pacientes é: “Eu sei que coração não dói, por isso não me preocupo tanto por causa disso.”

Não se conhece a origem desse entendimento errado. No entanto, muitas pessoas o tomam como verdade. Esse é um fator muito negativo, responsável pelo atraso na identificação de doenças no coração e traz consequências graves.

Para desfazer esse mal-entendido, de que o coração não dói, é preciso reforçar que ele dói, sim. Há duas formas dessa dor se manifestar: angina do peito e infarto do miocárdio.

A dor da angina

Na angina do peito, a dor é forte, em aperto, opressão, queimação, ardência ou peso. Localiza-se, geralmente, no centro do peito, atrás do osso, mas pode ser sentida, também, no:

  • braço esquerdo;

  • braço direito;

  • ambos os braços;

  • pescoço;

  • mandíbula e

  • costas.

Não raro, a dor começa nos braços, na região do estômago, no lado esquerdo ou nas costas e, minutos depois, pode se estender para o centro do peito. É comumente provocada por esforço e emoções, mas pode acontecer, também, após refeições, em repouso ou durante o sono. O sintoma tende a desaparecer em poucos minutos.

Diferencia-se de outras dores no peito por não se agravar com a respiração, com a tosse, com movimentos do tórax, por compressão no local ou por mudanças de posição do corpo.

A dor do infarto do miocárdio

No infarto do miocárdio, a dor tem características semelhantes à da angina do peito. Porém, distingue-se por surgir com maior frequência quando a pessoa está em repouso, por ser mais intensa e prolongada, e por vir acompanhada de:

  • intenso mal-estar;

  • falta de ar;

  • sensação de morte iminente;

  • suor frio e

  • vômito.

É uma das dores mais fortes que existem.

Como saber se uma pessoa está infartando e como proceder?

O ataque cardíaco se apresenta de forma abrupta, traiçoeira, através de uma dor muito forte no peito. É uma das dores mais intensas e angustiantes que existem, impossível de ser tolerada por muito tempo. Frequentemente, é acompanhada por sensação de morte iminente, falta de ar, suor frio, palidez, náusea e vômito.

A ajuda para aliviá-la deve ser imediata, através de atendimento especializado, quando disponível, ou pelo serviço médico mais próximo. Nos casos em que a pessoa souber que tem doença cardíaca e a estiver tratando, ela deve seguir as recomendações médicas em caso de dor e procurar imediatamente o hospital em que seu atendimento esteja vinculado.

Vencida a fase aguda, o tratamento não cessa. Começam, então, as medidas de ordem preventiva para evitar outros infartos. O paciente precisa mudar seus hábitos de vida:

  • reduzir o nível de gorduras no sangue;

  • diminuir o peso;

  • abandonar o cigarro;

  • fazer exercícios físicos;

  • controlar a pressão arterial e

  • tomar os medicamentos recomendados.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de ataque cardíaco é puramente clínico, confirmado por um eletrocardiograma. É fácil detectá-lo. Pode-se, em caso de indicação, realizar exames, como a arteriografia coronariana, para avaliar a estrutura das artérias coronárias, que alimentam o coração.

O tratamento inicial consiste em desentupir, o mais rapidamente possível, a artéria acometida. Isso é feito com o uso de substâncias que diluem o sangue e dissolvem o coágulo no interior do vaso (trombolíticos). Outras medicações são usadas, também, para diminuir a falta de ar e a dor cardíaca, para impedir a progressão do coágulo e para dilatar a artéria obstruída.

Outra opção de tratamento cardíaco é por meio da cardiologia intervencionista.

Cardiologia intervencionista

A cardiologia intervencionista é a especialidade que realiza procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos para diagnosticar e fazer o tratamento de diversas doenças cardiovasculares. No caso do ataque cardíaco, recomenda-se a angioplastia coronariana.

Nela, utiliza-se um aparelho especial para acessar a artéria obstruída e desbloqueá-la, sem necessidade de realização de uma cirurgia cardíaca convencional, que envolve a abertura de todo o peito.

A cardiologia intervencionista também pode fazer o tratamento cirúrgico por meio da revascularização do miocárdio (pontes de veia safena e/ou artéria mamária). Nesta situação, substitui-se o vaso obstruído por outro capaz de alimentar o coração.

Se você quer saber mais sobre a cardiologia intervencionista e compreender como um médico especializado nessa área atua para diagnosticar e tratar doenças cardiovasculares, dê play no nosso vídeo e confira a nossa entrevista com o Dr. Tammuz Fattah.

 

É importante ressaltar que cada caso tem suas indicações de tratamento e, muitas vezes, há a associação de métodos, de forma que não se pode estabelecer uma forma padrão de solucionar o problema.

A longo prazo, deve-se prevenir novos episódios de infarto do miocárdio com o uso de medicamentos anticoagulantes que diluem o sangue, evitando a formação de outros coágulos. Pode-se, também, utilizar remédios que diminuam os níveis de colesterol e triglicerídeos no organismo.

Como o infarto pode ser prevenido?

Como se pode perceber, as medidas, para evitar o ataque cardíaco, deverão ser tomadas de forma conjunta entre as equipes de saúde e os pacientes. Nos países em que foram desenvolvidos programas comunitários de conscientização e onde foram realizadas ações preventivas, evidenciou-se a diminuição na ocorrência de infarto do miocárdio e de morte súbita.

O meio mais eficaz é o controle dos fatores de risco, a partir da prática regular de exercícios físicos, da redução do nível de colesterol no sangue, do abandono do cigarro, do monitoramento da pressão arterial e do diabetes mellitus. As dietas alimentares, o uso de remédios (apenas quando indicados pelo médico) e a prática esportiva são determinantes para evitar o entupimento das artérias.

Por isso, recomendamos que todas as pessoas façam check-ups regulares e, com o auxílio de um cardiologista, modifiquem os seus hábitos para garantir a saúde do seu coração e das suas artérias coronárias. Essa recomendação é ainda mais importante com o passar dos anos, visto que o ataque cardíaco é mais recorrente entre os 45 e 65 anos, e para pacientes que contam com fatores de riscos, citados anteriormente.

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