Dormir demais faz mal ao coração?

Por: - Médico Cardiologista - CRM/SC 4101 RQE 1132
Publicado em 07/07/2017 - Atualizado 08/02/2019

Dormir demais faz mal ao coração?

A recomendação padrão é de que uma pessoa deve ter, ao menos, oito horas de sono por dia. Mas dormir demais faz mal ao coração? Segundo um estudo feito nos Estados Unidos, exceder as oito horas de sono diárias ou descansar por menos de seis horas aumenta, consideravelmente, o risco de uma pessoa desenvolver uma doença cardíaca.

Os pesquisadores observaram que quem dorme seis horas ou menos tem o dobro de chance de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), um infarto ou uma insuficiência cardíaca. Já quem permanece na cama por mais de oito horas duplica a possibilidade de desenvolver angina de peito e doença coronariana.

Isso, no entanto, não quer dizer que pessoas que durmam demais ou de menos tenham que se preocupar em mudar o hábito imediatamente. Alterar o comportamento torna-se uma necessidade quando o estilo de vida não está de acordo com o que é considerado saudável.

Uma outra pesquisa, feita por uma equipe da Universidade de Wageningen e do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente, na Holanda, mostrou que uma quantidade suficiente de horas de descanso, somada a uma dieta equilibrada, à ausência de vícios (como consumir bebida alcoólica e fumar) e à prática diária de uma atividade física é capaz de diminuir o número de óbitos provocados por doenças cardíacas.

Dormir demais faz mal ao coração, dependendo da rotina

Uma das respostas à pergunta “dormir demais faz mal ao coração?” está na rotina. Pessoas com um dia a dia muito agitado tendem a descansar menos para atender a todas as suas responsabilidades e acabam absorvendo as horas que deveriam ser dedicadas ao lazer e ao descanso para realizar suas funções.

O período reduzido de sono prejudica o equilíbrio na produção de alguns hormônios, entre eles, a grelina e a leptina, responsáveis por regular o apetite. É por este motivo que pessoas que dormem pouco consomem mais calorias e têm mais chance de se tornarem obesas, desenvolver pressão alta e problemas no coração.

O excesso de peso também é um problema identificado em pessoas que extrapolam as oito horas de sono diárias. Por isso, a dica para quem tem vontade de encontrar um equilíbrio na hora de dormir é cuidar da alimentação. Alguns alimentos contêm uma substância chamada triptofano, que ajuda o corpo a restabelecer a harmonia enquanto descansamos. Ela estimula a produção de serotonina, um hormônio que tem poder sedativo e ajuda a melhorar a qualidade do sono.

Os alimentos que contêm triptofano são as carnes magras, como peixes, leites e iogurtes desnatados, queijos brancos e magros, nozes, banana e leguminosas. Consumir carboidratos também é importante para aumentar os níveis de insulina no organismo e evitar a hipoglicemia (baixa quantidade de açúcar no sangue), que costuma ocorrer à noite.

A taxa de glicose abaixo do que é necessário desencadeia a liberação de adrenalina, um hormônio estimulante e que pode estar relacionada a distúrbios do sono. Pães, cereais, biscoitos, massas, arroz, frutas, legumes, granola e polenta são boas fontes de carboidrato.

Material escrito por:
Médico Cardiologista - CRM/SC 4101 RQE 1132

Diretor técnico da Unicardio, o Dr. Harry Correa Filho é formado em medicina pela UFSC e especialista em cardiologia pelo Instituto de Cardiologia de Santa Catarina, onde já foi diretor. É professor de cardiologia na Unisul e Pesquisador de estudos clínicos, como EMERAS, ISIS 4, PARAGON, PLATO e TRILOGY.

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