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Exame Hormonal: quando fazer e por que ele pode mudar sua vida!

Exame Hormonal é muito importante. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Para qualquer investigação clínica, procure um profissional habilitado.

Imagine acordar todos os dias sentindo-se exausto, mesmo dormindo bem. Ou ver o ponteiro da balança subir sem mudar seus hábitos alimentares.

Para muitos brasileiros, esses sinais são tratados como “normais”. Mas não são. Na maioria das vezes, o corpo está pedindo ajuda silenciosamente e você pode estar apresentando alguma disfunção hormonal.

Quando é a hora de pensar em um exame hormonal?

Não é comum que as pessoas associem sintomas gerais à saúde hormonal. Fadiga persistente, insônia, dificuldade para emagrecer, alterações no ciclo menstrual ou mesmo irritabilidade crônica muitas vezes são atribuídas ao estresse ou à rotina. Poucos pensam que o problema pode estar nos hormônios.

E é justamente por isso que o exame hormonal faz sentido: ele ajuda a conectar os pontos entre o que você sente e o que seu corpo está tentando sinalizar. Nestes casos, deve ser feita uma avaliação endocrinológica detalhada, que vai além dos exames de rotina.

O que o exame hormonal pode revelar sobre sua saúde

Hormônios são mensageiros bioquímicos. Pequenas alterações neles podem gerar efeitos enormes: dificuldade de concentração, oscilações de humor, infertilidade, retenção de líquido e queda de cabelo.

Por exemplo, um nível aumentado de TSH (hormônio tireoestimulante) pode indicar disfunções da tireoide, que estão por trás de sintomas como lentidão, intestino preso, ganho de peso e frieza corporal. Uma glicemia elevada pode sugerir resistência insulínica, muito antes do diagnóstico de diabetes.

Tanto em mulheres quanto em homens, desequilíbrios hormonais podem causar impactos importantes na saúde e qualidade de vida.

Nas mulheres, alterações entre estrogênio e progesterona podem estar associadas à TPM severa, acne adulta, cistos ovarianos e queda da libido.

Nos homens, alterações nos níveis de testosterona afetam a energia, massa muscular, disposição, humor, podendo causar disfunção erétil e redução da libido.

Sobrepeso: quando o problema é mais que caloria

No Brasil, cerca de 25,9% da população adulta apresenta obesidade e aproximadamente 60% tem excesso de peso, segundo dados do IBGE (PNS, 2019) e do Ministério da Saúde (Vigitel, 2023). Esses números mostram a importância de investigar possíveis causas hormonais para o ganho de peso e dificuldades no emagrecimento.

Abaixo, um resumo visual com as prevalências estimadas dessas condições no Brasil:

Obesidade e Excesso de Peso no Brasil

Obesidade e Excesso de Peso no Brasil

Distribuição do peso na população adulta brasileira

Como interpretar os dados:

60% da população tem excesso de peso, que se divide em:

25,9% – Obesidade
34,1% – Sobrepeso
40% – Peso normal/baixo
60%
EXCESSO DE PESO
(Sobrepeso + Obesidade)
25,9%
OBESIDADE
(Dentro dos 60%)
40%
PESO NORMAL
ou Baixo Peso

Fontes dos Dados

IBGE (PNS, 2019): Pesquisa Nacional de Saúde

Ministério da Saúde (Vigitel, 2023): Vigilância de Fatores de Risco

Importante: Esses números mostram a importância de investigar possíveis causas hormonais.

Dados baseados em estudos nacionais brasileiros | População adulta

Exemplos de disfunções hormonais ligadas ao peso corporal:

Hipotireoidismo

Quando a tireoide produz pouco hormônio (T3 e T4), o metabolismo desacelera. Resultado:
• Fadiga
• Ganho de peso
• Intestino preso
• Retenção de líquido

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Muito comum em mulheres, principalmente em idade fértil. Está ligada à resistência à insulina e excesso de andrógenos.
• Ganho de peso (especialmente abdominal)
• Dificuldade para emagrecer
• Acne, oleosidade e ciclos menstruais irregulares

Cortisol elevado (estresse crônico / Síndrome de Cushing)
O “hormônio do estresse”, quando está constantemente alto, tem efeitos nada legais:
• Acúmulo de gordura abdominal
• Perda de massa muscular
• Desequilíbrio do sono e apetite

Deficiências de leptina e grelina
Esses dois regulam fome e saciedade:
• Leptina: sinaliza saciedade. Se estiver baixa ou o corpo estiver resistente, a pessoa não se sente satisfeita.
• Grelina: aumenta o apetite. Se está desregulada, dá fome o tempo todo.

Alterações nos hormônios sexuais
• Estrogênio/progesterona: alterações no ciclo (TPM intensa, menopausa, SOP) podem influenciar no metabolismo e no apetite.
• Testosterona (em homens e mulheres): níveis baixos reduzem massa muscular, energia e aumentam o acúmulo de gordura.

Diabetes tipo 1 e tipo 2

Diabetes tipo 1: doença autoimune em que o corpo deixa de produzir insulina, exigindo reposição diária. Costuma surgir na infância ou adolescência, algumas vezes em adultos jovens também e não está ligado ao peso.

Diabetes tipo 2: caracterizado por resistência à insulina, geralmente associado a sobrepeso e sedentarismo. O ganho de peso é comum.

Essas condições, sozinhas ou combinadas, contribuem para um ciclo de dificuldade em perder peso e acúmulo de gordura visceral. Muitas vezes, o paciente não sabe que está lutando contra um desequilíbrio biológico.Abaixo, um resumo visual com as prevalências estimadas dessas condições no Brasil:


Gráfico: Prevalência de disfunções hormonais relacionadas ao sobrepeso

Condições de Saúde no Brasil

Prevalência estimada na população brasileira

Fonte: Estudos epidemiológicos brasileiros

Excesso de insulina, disfunção na tireoide, cortisol cronicamente elevado e alterações de leptina e grelina (os hormônios da fome e da saciedade) influenciam diretamente na forma como o corpo armazena gordura e regula o apetite. Muitos pacientes se sentem frustrados por não conseguir emagrecer, mesmo com dieta e exercício, quando na verdade podem estar com alguma disfunção hormonal.

O exame hormonal ajuda a identificar essas barreiras ocultas, tornando o tratamento mais eficaz e menos frustrante.

O que pode levar à indicação de medicamentos no tratamento do sobrepeso ou obesidade. 

Imagine um paciente que luta há anos contra a balança, já tentou de tudo, mesmo assim, sente que falhou, e, muitas vezes carrega a culpa por “não ter força de vontade”.

Ao buscar ajuda médica e realizar exames, identifica um quadro de obesidade ou sobrepeso com ou sem comorbidades como hipertensão, dislipidemia, apneia do sono, síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou até mesmo resistência insulínica.

É nesse contexto que medicamentos injetáveis como tirzepatida (Mounjaro), semaglutida (Ozempic, Wegovy), liraglutida (Victoza, Saxenda, Olire e Lirux) e dulaglutida (Trulicity) podem ser considerados como parte do tratamento.

Essas substâncias pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 ou à combinação de agonistas de GLP-1 e GIP (caso da tirzepatida). Elas atuam de forma semelhante a hormônios naturais que regulam o apetite, a saciedade e a resposta à insulina, promovendo não apenas o controle glicêmico, mas também a redução de peso e o tratamento da esteatose hepática (fígado gorduroso), bem como das gorduras ectópicas, que são as mais perigosas, ditas aterogênicas, como a miosteatose, que é a gordura entre as fibras musculares.

  • Tirzepatida (Mounjaro) e semaglutida (Ozempic, Wegovy) são de aplicação semanal e têm resultados expressivos tanto no controle da glicemia quanto na perda de peso.
  • Liraglutida (Victoza, Saxenda, olire e lirux) é de uso diário e indicada para diabetes tipo 2 (Victoza e lirux) e também, em doses maiores, para o controle da obesidade (Saxenda e olire).
  • Dulaglutida (Trulicity), também semanal, é indicada para o tratamento do diabetes e pode contribuir com a redução do apetite e consequente a perda de peso. 

Embora atuem em mecanismos semelhantes, essas medicações diferem em potência, composição, posologia e indicações específicas. A escolha do melhor tratamento é feita após uma avaliação médica criteriosa, considerando histórico clínico, estilo de vida, comorbidades e os objetivos terapêuticos.

Vale destacar: o uso desses medicamentos injetáveis não depende da presença de resistência insulínica. De acordo com as diretrizes brasileiras mais recentes, como a Diretriz para o Tratamento Farmacológico da Obesidade da ABESO (2025) e o Posicionamento Conjunto da SBEM e ABESO (2024), o tratamento medicamentoso pode ser indicado em casos de obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC ≥ 27 kg/m²) com comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia, apneia do sono, entre outras. A escolha da medicação deve ser individualizada e sempre associada a mudanças no estilo de vida.

Portanto, o exame hormonal não é apenas um requisito burocrático antes de iniciar um tratamento, ele é parte fundamental da avaliação que permite uma conduta individualizada, segura e eficaz.

Check-up hormonal também é prevenção. Mesmo sem sintomas!

Muita gente acredita que só precisa investigar a saúde hormonal quando já apresenta sintomas intensos ou um diagnóstico definido. Esse é o pensamento que mais atrasa o cuidado preventivo. O exame hormonal é indicado justamente para quem quer se antecipar aos diagnósticos. Ele serve tanto para investigar causas de sintomas quanto para fazer parte de um check-up de rotina com avaliação endocrinológica completa.

O que começa como uma “sensação de estar fora do eixo” pode ser o primeiro sinal de uma condição tratável. E quanto mais cedo a identificação, mais simples a intervenção.

Por que não esperar para realizar o exame hormonal?

Você não precisa ter um quadro instalado de diabetes, SOP ou hipotireoidismo para começar uma investigação. Pequenas queixas cotidianas podem esconder desequilíbrios que não aparecem nos exames tradicionais.

A medicina moderna está cada vez mais personalizada. O exame hormonal permite compreender como seu corpo funciona agora, e não só se ele está “normal” para a média da população.

Onde fazer seu exame hormonal em Florianópolis?
Aqui na Unicardio, o exame hormonal faz parte de um check-up integrado com abordagem preventiva. Os protocolos incluem avaliação hormonal e metabólica completa, além de análise corporal por bioimpedância e exames de imagem como: ultrassonografia da tireoide e abdome total, quando necessário.

Tudo com suporte de uma equipe médica experiente e estrutura pensada para acolher com precisão e conforto.

Agende seu check-up hormonal em Florianópolis aqui na Unicardio.

FAQ rápido

  • Quando devo fazer um exame hormonal?
    Sempre que houver sintomas como cansaço excessivo, ganho de peso sem causa aparente, infertilidade ou histórico familiar de doenças hormonais.
  • Precisa de jejum?
    Sim, geralmente é necessário jejum de 8 a 12 horas, mas isso pode variar conforme o exame.
  • Quem pode solicitar?
    Apenas um médico pode solicitar os exames hormonais, após avaliação clínica.
  • Os hormônios influenciam no emagrecimento? Alguns hormônios podem interferir diretamente no processo de emagrecimento. Por isso, é fundamental contar com o acompanhamento de um profissional da saúde.
  • Check-up hormonal detecta problemas antes dos sintomas?
    Sim! Em muitos casos, o check-up hormonal identifica alterações antes mesmo dos sintomas aparecerem, o que torna o exame ainda mais importante para a prevenção.

Fontes: IBGE Vigitel


Veja também:

Material escrito por:

Dra.-Ana-Paula-Gomes-Cunha

Ana Paula Gomes Cunha

Endocrinologista e Metabologista

CRM/SC 10157 RQE 7075

  • Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/1996-2002)
  • Residência em Clínica Médica no Hospital Regional de São José – Dr. Homero de Miranda Gomes (HRSJ-HMG/2004-2005)
  • Residência em Endocrinologia e Metabologia no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC/2006-2007)
  • Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
  • Membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), na qualidade de Secretária Executiva Adjunta (Gestão 2011-2012)
  • Membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), na qualidade de tesoureira Adjunta (Gestão 2013-2014)
  • Membro da diretoria nacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), de novos lideranças ( 2015-2016)

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