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Diabetes: tipos, sintomas e como tratar com segurança segundo as diretrizes 2025

Diabetes

Você já ouviu dizer que o diabetes é “muito açúcar no sangue”? Essa definição até faz sentido, mas está longe de explicar a complexidade dessa condição que já afeta mais de 16 milhões de brasileiros adultos, segundo o Ministério da Saúde.

E o mais preocupante: até 2030, esse número pode chegar a 21,5 milhões. Mas entender o diabetes é o primeiro passo para controlá-lo e viver bem.

Neste artigo, você vai descobrir:

  • o que realmente é o diabetes (e de onde vem esse nome curioso);
  • os tipos mais comuns e suas diferenças;
  • os sintomas que exigem atenção;
  • e como o tratamento moderno pode devolver qualidade de vida.

O que é o diabetes?

O diabetes é uma condição em que o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la adequadamente.
A insulina é o hormônio produzido pelo pâncreas responsável por “abrir a porta” das células para a glicose (açúcar) entrar e ser transformada em energia.

Quando esse mecanismo falha, a glicose se acumula no sangue, provocando os sintomas clássicos e, com o tempo, sérios riscos à saúde.

Um pouco de história: porque “diabetes mellitus”?

O termo “diabetes mellitus” tem origem no grego e no latim:

  • “Diabetes” vem de diabaínein, que significa “passar através”,  uma referência à urina em excesso observada em pessoas com a doença.
  • “Mellitus” significa “adoçado com mel”,  porque, na medicina antiga, os médicos notaram que a urina desses pacientes era… doce (sim, literalmente provavam!).

Essa expressão descreve exatamente o que acontece: o açúcar “passa” do sangue para a urina quando não é aproveitado pelo corpo.

Hoje, claro, não há necessidade de provar nada, basta um exame de sangue para detectar precocemente o problema.

Sintomas do diabetes

Os sinais mais comuns incluem:

  • sede excessiva e boca seca;
  • fome exagerada;
  • vontade frequente de urinar;
  • perda de peso sem motivo aparente;
  • visão turva;
  • formigamento nas mãos ou pés;
  • cansaço e sonolência;
  • infecções recorrentes (como na pele e urina).

Nem todos os pacientes sentem sintomas,  por isso o diabetes é conhecido como “doença silenciosa”.
Exames de rotina são fundamentais para detectá-lo cedo.

Tipos de diabetes

1. Diabetes tipo 1

É uma doença autoimune: o próprio sistema imunológico destrói as células do pâncreas que produzem insulina.
Costuma surgir na infância ou adolescência, mas pode aparecer em adultos jovens também.
O tratamento exige uso diário de insulina e acompanhamento médico regular.

2. Diabetes tipo 2

É o tipo mais comum, responsável por cerca de 90% dos casos.
O corpo até produz insulina, mas as células se tornam resistentes a ela,  geralmente por causa do sedentarismo, má alimentação e sobrepeso.

A boa notícia: o diabetes tipo 2 pode ser prevenido e, em alguns casos, controlado sem remédios, com mudanças no estilo de vida.

3. Diabetes gestacional

Ocorre durante a gravidez, quando hormônios da placenta atrapalham a ação da insulina.
Com acompanhamento adequado, costuma desaparecer após o parto, mas requer vigilância, pois aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

4. Pré-diabetes

É um sinal de alerta: os níveis de glicose estão altos, mas ainda não caracterizam diabetes.
Com hábitos saudáveis, é totalmente reversível.

Diagnóstico atualizado (Diretrizes 2024)

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, 2024), o diagnóstico é feito por meio de exames simples:

ExameResultado NormalPré-diabetesDiabetes
Glicemia em jejum< 100 mg/dL100–125 mg/dL≥ 126 mg/dL
Hemoglobina glicada (HbA1c)< 5,7%5,7–6,4%≥ 6,5%
Teste oral de tolerância à glicose< 140 mg/dL140–199 mg/dL≥ 200 mg/dL

Fonte: Diretriz SBD 2024 / ADA 2025

Tratamento: o que há de novo

O tratamento do diabetes depende do tipo e da fase da doença, mas sempre envolve três pilares principais:

1. Mudanças no estilo de vida

  • alimentação balanceada e orientada por nutricionista;
  • atividade física regular (150 minutos por semana, segundo OMS);
  • manutenção do peso saudável.

2. Tratamento medicamentoso

  • Tipo 2: uso de medicamentos orais como metformina, e, conforme necessidade, novas classes como inibidores de SGLT2 e análogos de GLP-1, que também protegem o coração e os rins.
  • Tipo 1 e gestacional: uso de insulina sob acompanhamento médico.

3. Monitoramento contínuo

A tecnologia tem ajudado: sensores de glicose e aplicativos permitem acompanhar as taxas em tempo real, melhorando o controle e a adesão ao tratamento.

Por que controlar o diabetes é vital

Manter a glicose equilibrada é essencial para evitar complicações graves, como:

  • infarto e AVC;
  • insuficiência renal;
  • cegueira;
  • Amputações por má cicatrização.

O bom controle reduz drasticamente esses riscos e permite uma vida longa, ativa e saudável.

Como viver bem com diabetes

  • Priorize carboidratos integrais e evite açúcares refinados.
  • Atenção aos sucos naturais mesmo sem açúcar, muitos são ricos em frutose.
  • Faça consultas e exames regulares.
  • Movimente-se todos os dias.

Cuidar do diabetes não é sobre restrição, é sobre equilíbrio e qualidade de vida.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Diabetes tipo 2 tem cura?
Não, mas pode ser controlado e, em alguns casos, revertido com perda de peso e hábitos saudáveis.

2. Posso comer açúcar de vez em quando?
Com orientação médica, pequenas quantidades ocasionais podem ser permitidas, dependendo do controle glicêmico.

3. O que é pré-diabetes e devo me preocupar?
Sim. É o momento ideal para agir e evitar a evolução da doença com alimentação e exercícios.

4. Qual é o valor ideal da glicemia?
Geralmente, entre 70 e 99 mg/dL em jejum, mas a meta pode variar conforme o perfil do paciente.

Conclusão

O diabetes não precisa ser um obstáculo. Com diagnóstico precoce, acompanhamento médico e pequenas mudanças diárias, é possível viver bem e com saúde.

Agende uma avaliação com nossos especialistas e receba orientação personalizada para cuidar do seu coração e da sua saúde metabólica.

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Material escrito por:

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Paulo de Tarso Freitas

Endocrinologista e Metabologista

CRM/SC 7564 RQE 3776

  • Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina. (Conclusão em 1996)
  • Residência Médica em Clínica Médica – Hospital Governador Celso Ramos – Florianópolis/SC. (Conclusão em 1998)
  • Especialização em Endocrinologia e Metabologia – Hospital Brigadeiro – São Paulo/SP. (Conclusão em 2000)
  • Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM – RQE 3776
  • Médico concursado pela Secretaria de Estado da Saúde
  • Tele consultor em endocrinologia pela Secretaria de Estado da Saúde
  • Ex-conselheiro do CRM/SC
  • Membro da Comissão de Ética Médica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
  • Regional Santa Catarina – desde 2020

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