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Check-up cardíaco: quais exames fazer antes de iniciar uma nova atividade física?

Paciente fazendo teste ergométrico na esteira acompanhado por médicos da Unicardio

Decidir começar uma academia, voltar a correr, participar de uma prova ou simplesmente abandonar o sedentarismo é uma ótima notícia para a saúde.

Mas uma dúvida costuma aparecer nesse momento: antes de começar, é preciso fazer um check-up cardíaco?

E, se a resposta for sim, quais exames devem ser realizados?

A primeira informação importante é que não existe uma lista universal de exames que todas as pessoas precisam fazer antes de iniciar uma atividade física.

Uma pessoa jovem, sem sintomas, sem doenças conhecidas e que pretende começar caminhadas leves apresenta um cenário muito diferente daquele de alguém que passou anos sedentário, possui hipertensão, diabetes ou histórico familiar de doença cardiovascular e decidiu começar a correr.

É justamente por isso que a avaliação antes do exercício começa pela pessoa, não pelo exame.

Na Unicardio, em Florianópolis, a avaliação cardiológica permite analisar histórico de saúde, sintomas, fatores de risco e características da atividade pretendida para então definir se existe necessidade de exames complementares e quais realmente fazem sentido para cada caso.

Por que avaliar o coração antes de começar a se exercitar?

A atividade física regular é uma das principais ferramentas para prevenção cardiovascular.

Isso não significa, porém, que todos devam começar qualquer exercício, em qualquer intensidade, sem considerar sua condição de saúde.

Quando começamos uma atividade física, coração, pulmões, circulação e músculos precisam responder a uma demanda maior de oxigênio e energia.

Quanto maior a intensidade do exercício, maior tende a ser essa exigência.

Na maior parte das pessoas, essa adaptação acontece normalmente. O objetivo da avaliação cardiovascular antes de exercícios moderados ou intensos é justamente identificar condições que possam exigir investigação, tratamento, orientação ou adaptação da atividade.

Na cardiologia esportiva, esse processo é conhecido como avaliação pré-participação.

Ela procura identificar fatores de risco e doenças cardiovasculares que possam interferir na segurança da prática esportiva, especialmente quando o exercício será realizado regularmente e em intensidade moderada ou elevada.

Isso não deve ser confundido com procurar motivos para impedir alguém de se exercitar.

Na maioria das vezes, o objetivo é exatamente o contrário: criar condições para que a pessoa possa se movimentar com mais segurança.

Todo mundo precisa fazer exames antes de começar a academia?

Não.

Esse é um dos principais pontos que precisam ser esclarecidos.

Não existe indicação para realizar indiscriminadamente uma bateria completa de exames cardiológicos em todas as pessoas que decidem começar uma atividade física.

A necessidade de investigação depende de diferentes fatores.

Entre eles estão:

  • Idade
  • Histórico pessoal de doenças
  • Presença de sintomas
  • Pressão arterial
  • Diabetes
  • Colesterol elevado
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Histórico familiar de doença cardiovascular ou morte súbita
  • Tempo de sedentarismo
  • Tipo de exercício pretendido
  • Intensidade dos treinamentos
  • Participação em atividades competitivas

Uma pessoa sem sintomas e com baixo risco cardiovascular pode não precisar dos mesmos exames solicitados para alguém que apresenta vários fatores de risco ou pretende iniciar exercícios de alta intensidade.

Por isso, fazer exames por conta própria não substitui uma avaliação médica.

A questão não é fazer o maior número possível de testes. É realizar aqueles que respondem às perguntas clínicas relevantes para aquela pessoa.

O check-up começa antes dos exames

Quando alguém procura o cardiologista porque pretende começar ou retomar uma atividade física, uma parte fundamental da avaliação acontece durante a consulta.

O médico pode investigar se existem sintomas durante esforços ou atividades comuns do cotidiano, doenças já diagnosticadas, medicamentos utilizados e histórico familiar.

Também são avaliados fatores de risco cardiovasculares e realizado o exame físico.

Essa conversa ajuda a decidir o próximo passo.

Em alguns pacientes, consulta e avaliação clínica podem oferecer as informações necessárias para orientar o início da atividade.

Em outros, determinados achados justificam exames complementares.

Essa lógica é importante porque evita dois erros opostos.

O primeiro é ignorar sinais importantes e iniciar exercícios intensos sem investigação.

O segundo é acreditar que toda pessoa precisa passar por uma extensa bateria de exames antes de começar a se movimentar.

Eletrocardiograma: o que ele mostra?

O eletrocardiograma, também chamado de ECG, registra a atividade elétrica do coração.

É um exame rápido e não invasivo que pode fornecer informações sobre ritmo cardíaco, frequência e alterações da condução elétrica.

Dependendo da avaliação clínica, pode fazer parte da investigação cardiovascular antes da prática esportiva.

O eletrocardiograma pode contribuir para identificar determinadas alterações que merecem investigação adicional, mas é importante entender sua limitação.

Ele registra o coração em repouso.

Isso significa que um eletrocardiograma normal não responde sozinho como o coração vai se comportar durante exercício intenso.

Também não significa que todas as pessoas precisam realizar outros exames depois dele.

Os resultados sempre precisam ser interpretados dentro do contexto clínico.

Teste ergométrico: avaliando o coração durante o esforço

Quando a dúvida envolve justamente a resposta cardiovascular ao exercício, o teste ergométrico pode ter um papel importante.

Também conhecido como teste de esforço ou teste da esteira, ele permite acompanhar o paciente durante um esforço físico progressivo e controlado.

Durante o exame são avaliados parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial e eletrocardiograma.

Isso permite observar aspectos que não aparecem necessariamente quando a pessoa está em repouso.

O teste ergométrico pode auxiliar na investigação de sintomas relacionados ao exercício, na avaliação da resposta da pressão arterial ao esforço, na identificação de determinadas alterações do ritmo cardíaco ou sinais de isquemia e na análise da capacidade funcional.

Na própria Unicardio, esse exame também pode fornecer informações úteis para a orientação do exercício quando existe indicação clínica.

Mas novamente existe uma diferença importante entre um exame útil e um exame obrigatório para todo mundo.

Nem toda pessoa que decide entrar em uma academia precisa automaticamente realizar um teste ergométrico.

A indicação depende do risco cardiovascular, dos sintomas, da condição clínica e da intensidade de atividade que será praticada.

E o ecocardiograma?

O ecocardiograma responde a perguntas diferentes das respondidas pelo eletrocardiograma e pelo teste ergométrico.

Ele utiliza ultrassom para produzir imagens do coração e permite avaliar sua estrutura e seu funcionamento.

É possível analisar, entre outros aspectos, câmaras cardíacas, válvulas e funcionamento do músculo cardíaco.

Esse exame pode ser indicado quando o médico identifica sinais, sintomas, alterações no exame físico ou histórico que levantem suspeita de problemas estruturais do coração.

Pessoas que já apresentam determinadas doenças cardiovasculares também podem precisar do ecocardiograma para acompanhamento.

Por outro lado, não há motivo para tratar o ecocardiograma como exame obrigatório para todas as pessoas antes da prática de atividade física.

Cada exame precisa ter uma pergunta clínica por trás.

Exames de sangue também podem fazer parte da avaliação?

Em alguns casos, sim.

A prevenção cardiovascular não depende apenas da anatomia ou do ritmo do coração.

Condições metabólicas também interferem no risco cardiovascular.

Por isso, dependendo do histórico do paciente e de quando foram realizados seus últimos exames, o médico pode avaliar parâmetros como glicemia, colesterol e triglicerídeos, além de outros marcadores conforme a situação individual.

Esses resultados ajudam a identificar fatores de risco que muitas vezes não produzem sintomas.

Alguém pode se sentir perfeitamente bem e ainda apresentar hipertensão, diabetes ou alterações importantes do colesterol.

Por isso, a ausência de sintomas não é o único critério utilizado para avaliar risco cardiovascular.

MAPA e Holter fazem parte do check-up antes do exercício?

Não necessariamente.

Esses dois exames costumam gerar confusão porque fazem parte da investigação cardiológica, mas possuem objetivos específicos.

O MAPA, ou Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial, registra a pressão durante um período prolongado, normalmente ao longo de 24 horas.

Ele pode ser utilizado quando existe necessidade de compreender melhor o comportamento da pressão arterial durante a rotina.

Já o Holter monitora continuamente a atividade elétrica do coração, geralmente durante 24 horas ou mais.

Pode ser indicado para investigar situações como palpitações e suspeitas de determinados distúrbios do ritmo cardíaco.

Nenhum dos dois deve ser entendido como exame obrigatório para todas as pessoas que pretendem começar a praticar exercícios.

Eles entram na investigação quando existe uma razão clínica para realizá-los.

Quem merece atenção especial antes de começar?

Algumas situações tornam a avaliação cardiovascular particularmente importante antes de iniciar ou aumentar significativamente a intensidade dos exercícios.

Entre elas estão pessoas que apresentam fatores de risco cardiovascular conhecidos ou doenças já diagnosticadas.

Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e histórico familiar relevante merecem atenção.

O mesmo vale para quem passou muito tempo sedentário e pretende partir diretamente para atividades intensas.

Também é necessário cuidado quando já existe histórico de doença cardíaca, arritmia ou outros problemas cardiovasculares.

Nesses casos, a questão normalmente não é simplesmente decidir entre “pode” ou “não pode” fazer exercício.

A avaliação ajuda a entender qual atividade, intensidade e progressão são mais adequadas.

Sintomas que não devem ser ignorados

Existem sinais que tornam a avaliação médica especialmente importante.

Entre eles estão:

  • Dor, pressão ou desconforto no peito durante esforço
  • Falta de ar desproporcional à atividade realizada
  • Desmaio ou sensação de desmaio
  • Tontura durante o exercício
  • Palpitações persistentes ou acompanhadas de mal estar
  • Queda inexplicável da capacidade física
  • Cansaço muito diferente do habitual

Esses sintomas não significam automaticamente que exista uma doença cardiovascular.

Mas também não devem ser normalizados simplesmente porque apareceram durante atividade física.

A avaliação médica é necessária para entender sua origem.

Histórico familiar também importa

Nem todos os riscos cardiovasculares são percebidos pela própria pessoa.

Por isso, o histórico da família faz parte da avaliação.

Casos de morte súbita, doenças cardíacas importantes ou eventos cardiovasculares precoces em familiares podem modificar a maneira como o médico investiga um paciente que pretende praticar exercícios.

Essa informação é particularmente relevante porque algumas doenças podem permanecer silenciosas durante muito tempo.

É mais um exemplo de por que um check-up bem feito não deve ser resumido a uma lista de exames.

A história clínica direciona a investigação.

Vou começar a correr. Preciso fazer teste ergométrico?

Não é possível responder apenas sabendo que a pessoa pretende correr.

É necessário considerar quem vai correr.

Uma pessoa já ativa, sem sintomas e sem fatores de risco importantes apresenta um cenário.

Alguém sedentário há muitos anos, com hipertensão, diabetes ou sintomas aos esforços apresenta outro.

Também existe diferença entre iniciar pequenos períodos de corrida recreativa e começar imediatamente um treinamento de alta intensidade para uma meia maratona.

A intensidade pretendida faz parte da decisão.

Quando existe indicação, o teste ergométrico pode ser especialmente útil justamente porque avalia a resposta cardiovascular durante esforço progressivo.

Mas sua necessidade deve ser definida dentro da avaliação médica e não apenas pelo nome da modalidade esportiva.

Começar devagar também faz parte da segurança

Avaliação médica não substitui progressão adequada do treinamento.

Uma pessoa que recebeu orientação para praticar exercícios não precisa começar no limite de sua capacidade.

O organismo necessita de adaptação.

Aumentar gradualmente a duração, frequência e intensidade ajuda músculos, articulações e sistema cardiovascular a se acostumarem com o novo nível de atividade.

Isso é especialmente importante para quem passou meses ou anos sedentário.

O objetivo é transformar o exercício em um hábito que possa ser mantido e não concentrar todo o esforço nas primeiras semanas.

Check-up não é autorização para ignorar sinais do corpo

Outro erro possível é interpretar exames normais como uma garantia absoluta de que nenhum problema pode acontecer.

Nenhum exame oferece esse tipo de garantia.

Um check-up representa uma avaliação da condição de saúde naquele momento e dentro daquilo que foi investigado.

Se novos sintomas surgirem posteriormente, eles precisam ser considerados mesmo que exames anteriores tenham apresentado resultados normais.

Da mesma forma, pessoas que praticam atividade física regularmente continuam precisando cuidar dos fatores de risco cardiovascular ao longo da vida.

Prevenção é acompanhamento, não apenas um exame realizado uma vez.

Avaliar para poder se movimentar

Atividade física é parte fundamental da prevenção cardiovascular.

Por isso, o objetivo de uma avaliação antes do exercício não deve ser criar obstáculos para quem decidiu abandonar o sedentarismo.

O objetivo é identificar quem pode começar com segurança, quem precisa de atenção adicional e quais exames realmente agregam informação para cada situação.

Essa visão também faz parte do MOVIMENTE-SE, iniciativa da Unicardio que reforça a relação entre movimento, prevenção e cuidado com o coração em Florianópolis.

Antes de iniciar uma nova atividade física, especialmente quando existem sintomas, fatores de risco, doenças conhecidas ou intenção de realizar exercícios intensos, uma avaliação individual pode ajudar a transformar uma boa decisão em uma escolha ainda mais segura.

Na Unicardio, em Florianópolis, a consulta cardiológica e a estrutura de exames cardiovasculares permitem que essa investigação seja feita de maneira integrada, definindo os exames conforme a necessidade de cada paciente.

Porque um bom check-up cardíaco não significa fazer todos os exames disponíveis.

Significa fazer a avaliação certa e, quando necessário, escolher o exame certo para cada pessoa.

Vai começar ou retomar uma atividade física? Agende uma avaliação cardiológica na Unicardio e descubra quais exames fazem sentido para o seu caso.

Perguntas frequentes

Quais exames cardíacos devo fazer antes de começar a academia?

Não existe uma lista obrigatória para todas as pessoas. A necessidade de eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma ou outros exames depende de idade, sintomas, histórico de saúde, fatores de risco e intensidade da atividade pretendida.

Preciso de teste ergométrico para começar a correr?

Não necessariamente. O teste pode ser indicado dependendo do risco cardiovascular, dos sintomas e da intensidade do treinamento. A decisão deve ser individualizada.

Quem nunca fez exercício precisa consultar um cardiologista?

O simples fato de ser sedentário não determina sozinho a necessidade de uma bateria de exames. Entretanto, idade, fatores de risco, doenças existentes, sintomas e intenção de iniciar atividades intensas podem justificar avaliação médica antes do início.

Eletrocardiograma é suficiente para saber se posso praticar exercícios?

Não existe um único exame capaz de responder essa pergunta para todas as pessoas. O eletrocardiograma analisa a atividade elétrica do coração em repouso e precisa ser interpretado junto com história clínica, exame físico e, quando necessário, outros exames.

Ecocardiograma é obrigatório antes da academia?

Não. O ecocardiograma pode ser indicado quando existem achados ou condições que justifiquem avaliar estrutura e funcionamento do coração, mas não é um exame obrigatório para todo novo praticante de atividade física.

Quem tem pressão alta precisa fazer avaliação antes de se exercitar?

Depende do controle da hipertensão, da presença de outros fatores de risco ou doenças, de sintomas e da intensidade da atividade pretendida. A hipertensão não significa que a pessoa deva evitar exercícios, mas pode exigir orientação individualizada.

Check-up normal significa que posso fazer qualquer exercício?

Não. Exames normais são apenas uma parte da avaliação. Condicionamento físico, progressão do treinamento, sintomas e características da modalidade também precisam ser considerados.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia e Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte: Atualização da Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício – 2019
  2. Organização Mundial da Saúde: Atividade física

Material escrito por:

Dra.-Julia-Broering-de-Patta

Julia Broering de Patta

Cardiologista

CRM/SC 25051 RQE 21869

  • Graduada em Medicina. Universidade do Sul de Santa Catarina – Pedra Branca, conclusão em 2017.
  • Residencia de Clínica Médica pelo Hospital Regional de São José Dr. Homero de Miranda Gomes, 2018- 2020
  • Residencia de Cardiologia Clínica pelo Instituto de Cardiologia de Santa Catarina, 2020 – 2022
  • Médica na UTI do hospital SOS Cárdio
  • Médica Instituto de cardiologia de Santa Catarina, e não mais no hospital regional

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